terça-feira, 20 de novembro de 2012

amargo

Um café preto, frio e amargo que só serve para acompanhar o cigarro.

     Cigarro e café, o que fomos e ao mesmo tempo que poderíamos ter sido, poderíamos ter sido calma, vício, alegria intensa sem pensar no que vem depois. Fomos agonia da falta, fomos o gosto amargo e o cheiro nojento, dependência e uma pitada de vergonha.

Fomos câncer.

     Nada de ir ao lugar em que te conheci e conta minha história pro primeiro que estiver na frente, a luz fica acessa e o vinho esta lacrado, na minha casa a única coisa que tem mais vida que eu é meu orgulho, não posso deixar de comentar que voltou em grande estilo.

Trago do cigarro.

     As mensagens não chegam e não vão também, queria poder culpar a operadora dessa vez, eu sentado aqui pensando em você, sabe disso também?

Desenhos na fumaça que sai aos poucos da boca lembra você.

     O fato de você não se afastar significou alguma coisa pra mim e eu ainda não entendi o que, meus anticorpos fizeram questão de atacar e estou com raiva agora.

Gole do café.

     Imploro pra que dessa vez o café tenha o seu gosto e não o gosto marrom de sempre.

Careta e decepção.

     Já senti gosto piores, já vivi situações piores também, mas essa combinação é péssima.

Cheiro de doença e fumaça no ar.

     Qual seu perfume? É sempre esse? E o seu cheiro? qual o cheiro do seu pescoço? Espero que seja melhor que esse.

Bater da cinza.

     Sabia que eu nunca reparei nos seus peitos? Estranho ou não é verdade. Quando você esta de frente pra mim eu tenho outras coisas pra olhar. Não é todo dia que achamos bochechas vermelhas assim.

Ultimo trago do cigarro.

     Vontade de te xingar.

Ultima fumaça que dança como seus cabelos.

     Vontade de me desculpar.

Ultimo gole no café frio.

     Levanto da sala clara e me interno no quarto.

Ultimo suspiro antes de amanha.

    Não sonho com você essa noite, sonha aquele que tem esperanças e na noite ela vai embora.

Abrir de olhos repentino.

     Sol incomoda a vista, faço um café quente, deixo a carteira de cigarro em casa.

Viver a vida.

     Depois de todo o dia fora volta pra casa e encontro paredes brancas sem motivos para que fiquem coloridas.

Primeiro trago no cigarro.

     Com certeza será só mais uma noite.

Encontro com a garrafa de café.

     Sento na minha sala clara, olho o que tenho. Não tenho nada.

Um café preto, frio e amargo que só serve para acompanhar o cigarro.