Um homem encara a si mesmo na frente de um espelho sujo, seus olhos fixos em seu rosto cansado, tentando achar nas rugas de sua testa a resposta para a sua duvida. “Quem sou eu?" diz ele em você alta, provavelmente esperando uma resposta de um ser superior, ou do espelho quem sabe. Mais uma vez se viu sozinho no 18º andar e o barulho da sua própria voz ecoava no seu ouvido. Um único som real no quarto, “tic-tac, tic-tac…” passam minutos, horas e mais horas e o espelho continua calado, o homem esperando uma resposta.
Acontece que a pergunta certa não deveria ser aquela. Meu Deus só esse homem não percebeu isso. A pergunta errada no lugar errado. Sua reflexão de horas o levou a entender que não queria saber quem era para o mundo, queria saber quem era pra cada uma das pessoas a sua volta. Não era ninguém, não estava em lugar nenhum. O “tic-tac” denunciava, estava ali parado a mais de um dia, sem ninguém sentir sua falta.
Levantou, saiu da frente do seu espelho, deitou no chão gelado e sentiu o gelo no seu corpo por fora e por dentro. Chorou. As lagrimas molhando seu rosto e tirando junto com ela toda a esperança que ele tinha. Levantou, tirou a pilha do relógio, correu e tomou sua primeira atitude não pensada. Pulou quebrando o vidro da janela, acabando com toda a angustia. Antes que o baque seco do seu corpo batendo no chão fosse ouvido, seu telefone toca. Na secretária eletrônica, uma amiga, um alguém atrasado…